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Um texto sobre introversão e deixar coisas/pessoas para trás

julho 8, 2015

Eu sou uma pessoa introvertida. E resolvi falar mais sobre isso agora, principalmente porque acabei de passar por um momento de um livro que estou lendo (#Girlboss, da Shophia Amoruso – falarei sobre ele em breve) em que a escritora dá umas leves pinceladas sobre ter esse traço de personalidade.

Se você não achar que ler e ouvir música ao mesmo tempo seja algo ruim, recomendo dar o play nessa música aqui:

Acho que a introversão é algo que dispensa “apresentações”, eu gosto de ficar sozinha, eu tenho dificuldade de fazer amizades, eu tenho dificuldade de falar com pessoas no geral. Isso não significa que eu seja uma pessoa depressiva, só que eu sinto prazer em ficar sozinha e me aproximar de pessoas novas é algo extremamente difícil. Até aí, tudo bem. O problema foi quando isso passou a ser um traço negativo para carregar comigo na minha rotina.

Pelo que me lembro, sou assim desde sempre. Mas é claro que na época do colégio tudo era mais fácil. Na adolescência nós somos almas rebeldes, que gritam, riem alto e fazem amizades eternas em segundos.

Estive matriculada em Artes Cênicas por um semestre. Larguei por 2 motivos: eu não conseguia me soltar no palco e me sentia uma idiota fazendo tudo aquilo (ao invés de me sentir feliz, como era no grupo de teatro da escola) e também não me sentia parte daquela grande panela que era a minha sala, me sentia sozinha. Hoje estou me formando em Publicidade e confesso que o segundo ponto ainda é um problema para mim.

No trabalho, eu sempre era chamada atenção. “Você precisa se mostrar mais nas reuniões.” Ficava pensando “Mas, gente… O que vale é o trabalho que eu faço durante o mês todo. E não o que eu falo em numa reunião mensal de 40 minutos.”

“Grande parte do mundo, da escola ao local de trabalho, é voltada para recompensar os extrovertidos, portanto pode ser mais fácil para os introvertidos sentirem-se ignorados ou como se não estivem à altura dos outros. (…) Os introvertidos podem ficar para trás em reuniões e, assim, não serem percebidos como alguém com potencial para liderança, ainda que as pessoas introvertidas geralmente sejam gerentes mais empáticos.” Sophia Amoruso

 

Ou então pecava pelo excesso. Já fui muito interrompida pela minha antiga gerente – ou completamente ignorada. Demorei pra aprender quando era necessário falar ou não em uma reunião. Ainda não aprendi como falar. Eu fico tão nervosa quando preciso falar algo complexo, que as palavras se atropelam eu gaguejo. É horrível.

“Existe zero de correlação entre ser aquele que melhor sabe falar e aquele que tem as melhores ideias.” Susan Cain

 

E então, quando vi que minha introversão era algo negativo que eu queria mudar mas não conseguia, comecei a sentir uma grande necessidade de ser aceita pelas pessoas. Quando percebo que alguém sente algo positivo por mim, é uma das melhores coisas. No outro extremo, temos as coisas negativas que as pessoas sentem por mim. Saber que alguém não gosta de mim dói. Quando alguém tem uma reação negativa a algo que eu faço também dói – por mais simples que seja. O “não” dói. Quando estou chateada com alguém, raramente vou até ela falar isso. O que tenho na cabeça é “Bom, se a pessoa se importar, ela vai perceber, perguntar, nós vamos conversar, ela vai pedir desculpas, etc.” E se a pessoa não percebe, logicamente, é porque ela não se importa. Fim.

As amizades do colégio não existem mais. A cada encontro anual (ou semestral, com sorte) nos despedimos falando que precisamos fazer aquilo todo mês. Mal nos falamos por WhatsApp do dia seguinte em diante. Obviamente, sempre tem aquela pessoa que só aparece quando precisa de algo. “Fulano só aparece quando tá precisando de mim. Na próxima vez não vou ajudar.” Mas sempre ajudo. E ainda termino a conversa falando que a gente precisa marcar de se ver. Sinceramente, acho que essa necessidade de aceitação faz de mim trouxapracaraleo. Tenho certeza, na verdade. Juntando isso à introversão, não sei quando terei amigos próximos novamente.

Quando saí da última empresa em que trabalhei, foi porque já não tinha mais energias pra entregar um bom trabalho, aquele lugar não me fazia feliz (pelo contrário, me fazia muito mal). Minha gerente, uma pessoa com quem eu trabalhei por 5 anos, ficou putíssima comigo. Nem quis se despediu de mim. Dias depois da minha saída, precisei passar na empresa por motivos de: papelada. Com quem dei de cara assim que cheguei na recepção? Ela mesma. Eu dei um “oi” automático, tímido e simpático. Ela deu um sorriso amarelo. Quando entrei, acabei indo para o mesmo lugar onde ela estava (uma área cheia de salas de reuniões e tudo mais). Ela virou a cara pra mim. Passou na minha frente por duas vezes, me ignorando enquanto matinha seu nariz empinado.

Como aquilo doeu.

Acho que estou até hoje repetindo que “eu passei 5 anos trabalhando com ela, da melhor forma possível, entregando meu melhor, sempre ajudando e falando ‘sim’ pra tudo”, indignada.

“Bom, Andressa. Às vezes você só cruzou com algumas pessoas escrotas.” Sim, eu tenho certeza de que encontrei muita gente escrota pelo caminho, mas o problema é como eu reajo a essas pessoas. Ou melhor: ao que elas fazem comigo. Adoraria ser uma pessoa que dá de ombros e não liga pro que os outros pensam, falam ou fazem; que bloqueia coisas negativas e segue a vida numa boa.

Adoraria ser uma pessoa que deixa outras pessoas pra trás com facilidade.

“Quando pessoas se afastam de você, deixe-as ir. Seu destino não está amarrado a alguém que vai embora. E isso não quer dizer que essas pessoas sejam ruins, só significa que a participação delas em sua história acabou.”

 

Se você sente o mesmo que eu, sinto muito. Adoraria que esse post fosse algo parecido como “Ei! Se você é uma pessoa super introvertida e não sabe como fazer pra melhorar isso, seus problemas acabaram!”

Também poderia falar que “tá tudo bem.” Sinceramente, eu desejo que fique tudo bem pra você. E pra mim. Mas, infelizmente, esse post é só mais um desabafo de uma pessoa que, de repente, se viu sem os amigos antigos e sem saber se outras amizades tão próximas vão surgir no caminho.

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