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O que aconteceu quando fiz 10 minutos de meditação por 10 dias

fevereiro 2, 2016

No lugar desse post, eu ia escrever sobre como a minha ansiedade atrapalhava meu dia em vários momentos diferentes. Mas achei que ficou com uma vibe negativa e não tinha necessidade de postar isso. Era só um desabafo, na verdade.

De qualquer forma, fiz uma lista breve (porque é importante pra falar sobre o assunto principal do texto).

Acredito que o primeiro passo para lidar com a ansiedade é saber identificar em quais momentos ela aparece.

  • Não conseguia falar ao telefone. Em qualquer ligação, eu ficava impaciente, queria desligar logo e mal prestava atenção direito à conversa;
  • Não conseguia ler textos grandes na internet, nem livros;
  • Tinha muita dificuldade de organizar minha rotina e focar em algo por muito tempo;
  • Tudo era motivo pra sair da dieta e/ou beber muito (eu consigo tomar uma garrafa de Cabernet Sauvignon sozinha + uma receita de brigadeiro + qualquer coisa que tiver – em menos de uma hora);
  • Algumas discussões bestas me deixavam mais irritada que o normal (tipo aquela clássica do biscoito x bolacha, sabe?);
  • Ficava muuuuito nervosa todos os dias, várias vezes no dia. Uma coisa que talvez irritasse só um pouquinho alguém, me irritava muito, me fazia gritar por aí, bater em coisas, etc.;
  • Houve um momento em que comecei a me machucar todas as vezes em que me sentia irritada com algo que não conseguia parar. Se alguém no trabalho me irritava, se alguém discutia comigo ou perto de mim, eu me arranhava bem forte (não forte o suficiente a ponto de sair sangue, mas as marcas ficavam bem vísiveis por um tempo). Era uma forma de colocar pra fora tudo aquilo que eu estava sentindo;
  • Não acontecia sempre, mas já tive crises de ansiedade algumas vezes e isso é bem ruim. A pressão cai, a visão falha, seu corpo fica gelado e suando frio ao mesmo tempo, dá uma sensação ruim no peito e você só quer sair correndo. Geralmente, acontecia quando me via em uma situação ruim que eu não tinha como controlar.

A parte boa é que, de uns dias pra cá, comecei a perceber todos esses pontos. Antes, só sabia que era uma pessoa muito irritada. E então, entendi que isso não era normal; aí passei a prestar atenção em tudo o que eu fazia ou deixava de fazer por causa da ansiedade (eram muitas coisas, na lista eu coloquei só as coisas que me vieram à cabeça, mas provavelmente a lista real é maior). E acredito que o primeiro passo pra lidar com a ansiedade é esse: saber identificar em quais momentos do seu dia ela aparece.

É importante lembrar que existem casos e casos e acredito que a ansiedade atrapalhava meu dia de forma “moderada”, onde os momentos mais difíceis foram raros. Por isso não senti a necessidade de procurar um psicólogo, mas eu acho que é sempre recomendável procurar um profissional se você achar necessário, ok?

Conforme os dias foram passando, fui compartilhando essas sensações com meu noivo. Ele sugeriu que eu fizesse meditação. Sempre ouvia falar de pessoas que fazem meditação, mas eu acreditava que isso era pra hippies, vegetarianos, gente que gosta de incenso e aplaude o pôr-do-sol. Não que essas coisas sejam ruins, mas apenas achava que não tinha nada a ver comigo. Eis que me lembrei que, alguns dias antes, assisti a um vídeo no YouTube sobre o assunto, onde a pessoa indicava um aplicativo muito lindo chamado Headspace (tem pra Android e iOS – infelizmente, o aplicativo é apenas em inglês, então você precisa ter um nível de entendimento bom do idioma).

Ele funciona da seguinte forma: você faz 10 minutos de meditação por 10 dias, de graça. Depois disso, você pode assinar o aplicativo (como se fosse uma mensalidade de academia, sabe?) pra fazer outras séries de meditação que cuidam de pontos específicos – como stress, ansiedade, insônia e mais um montão de coisas. Minha ansiedade me deixou inquieta. Era difícil de fechar os olhos e ficar parada por um minuto que fosse, então a meditação parecia um grande desafio pra mim.

Funciona assim: você coloca os fones de ouvido, dá play na sessão do dia e então o Andy Puddicombe (especialista em meditação) começa a te “guiar.” Ao contrário do que imaginava, não é preciso ficar sem pensar (acho que ninguém consegue fazer isso, né?). Na verdade, você direciona sua atenção pra outras coisas: respiração, tato, membros do seu corpo. Os seus pensamentos continuam lá, mas você vai começando a aprender a deixá-los “passar.”

3-10-dias-meditacao-minutos-headspace-telas-saude-bem-estar-mude-me

O dia 1 foi bem curioso: não senti muita diferença, mas gostei da sensação após a sessão. Parecia que eu estava precisando muito daquilo. O dia 2 foi um pouco mais difícil de focar, achar uma posição confortável pra me sentar, etc. Soube que isso é normal até pra quem pratica há algum tempo. Então é importante ter em mente que alguns dias serão mais fáceis, outros nem tanto.

Já no terceiro dia, eu senti uma pequena mudança: bati meu dedinho na quina de uma mesa e não fiz escândalo, como faria normalmente. Isso fez com que eu prestasse atenção pro fato de que não estava mais tão irritada (antes, qualquer coisinha era motivo pra uma explosão).

Até o décimo dia – que foi ontem – eu passei a perceber muitas coisas: minha mente e minha rotina estavam mais organizadas, me senti mais inspirada. Fiquei anos num bloqueio criativo, querendo escrever uma história que estava na minha cabeça há tempos, mas quando me sentava pra colocá-la no papel, não conseguia conectar os pontos e desistia. No quinto dia, voltei a escrever e as palavras simplesmente foram saindo e dando forma à história.

Consigo falar no telefone sem ficar afobada esperando que a ligação acabe logo, tive pouquíssimos momentos de stress. Quando via que estava começando a me irritar com coisas desnecessárias, começava a respirar e direcionava minha atenção pra outra coisa. Resolve.

Estou até pegando no sono mais rápido, dormindo melhor.

É como se a minha mente estivesse completamente congestionada antes de começar a meditar e agora eu sinto que tudo está fluindo de forma tranquila. Achava que não seria possível ver diferença com apenas 10 sessões, mas esses dias foram o suficiente pra me convencer de que vale a pena apostar na meditação e fazer isso sempre. Se em apenas 10 dias eu estou me sentindo assim, imagino como isso vai ser bom pra mim a longo prazo, daqui a um, dois, dez anos. Então, resolvi assinar o Headspace. São US$ 13 por mês – quando você bate o olho, parece caro, mas como eu pago uma academia pro meu corpo, não há motivos pra não pagar uma pra a minha mente, que é o que comanda todo o resto.

Virei uma mega apoiadora da meditação e tenho indicado pra todas as pessoas que vêm conversar comigo sobre ansiedade, stress e outras coisas ruins que atrapalham o “bom funcionamento” da nossa mente. Então faça você também e depois volte aqui pra contar o que achou da experiência.

Pra finalizar, deixo vocês com dois vídeos muito legais sobre o assunto: um da Debbie e também um com a participação do Andy no TEDSalon London Fall 2012:

 

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Discussão

  • Reply Como mantemos a inspiração por perto no dia-a-dia – Um café pra dois agosto 29, 2016 at 19:25

    […] E a meditação contribui para que isso seja evitado. Nós usamos o app Headspace (a Andressa fez um post bem completo sobre ele no mude.me), 10 minutos por dia, todos os dias, já é o suficiente para fazer com que os pensamentos fluam […]

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